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Nossa comida está contaminada

Pesquisa de geógrafa aponta que o Brasil consome 20% de todo veneno comercializado no mundo

Apesar da legislação rígida sobre o uso de veneno, grande parte dos países europeus compram produtos do Brasil que possuem altos índices de agrotóxicos. É o que revela a pesquisa “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia“, da geógrafa Larissa Bombardi, professora do departamento de geografia da Universidade de São Paulo. Os dados apresentam os números do uso dos defensivos no Brasil e na Europa, e traz os dados da utilização dos agrotóxicos e seus efeitos por região no Brasil.

Em relação ao uso de agrotóxicos no Brasil, a pesquisa revela que: o país consome 20% de todo veneno comercializado no mundo; estima-se que somente o estado de São Paulo deixou de arrecadar R$ 1,2 bilhão em desonerações fiscais envolvendo agrotóxico, uma vez que os agrotóxicos recebem 60% de redução de ICMS e redução total do PIS, Cofins e IPI; em menos de 15 anos o país aumentou em 135% o consumo de agrotóxicos, passando de 170 mil toneladas nos anos 2000, para 500 mil toneladas em 2014.

Na Europa, o uso de agrotóxico na agricultura varia entre 0 e 2 Kg por hectare, enquanto no Brasil essa média é de 8,33 Kg por hectare, chegando a 19 Kg em estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. A soja, o milho e a cana são responsáveis por 72% do agrotóxico comercializado no país, sendo a soja o destino de 52% desses.

No cultivo de café, o Brasil permite o uso de 121 diferentes agrotóxicos, 30 dos quais proibidos na União Europeia; em relação à soja, 150 tipos de venenos são permitidos, 35 dos quais proibidos na EU. Em números absolutos, 30% dos agrotóxicos utilizados no Brasil são proibidos em solo Europeu.

A pesquisa da geógrafa traz dados alarmantes também quanto aos índices de contaminação: são 8 intoxicações por dia por uso de agrotóxicos no Brasil; 3.125 ao ano, com uma taxa de subnotificação de 1 X 50.

É tempo de pararmos para pensar.

 

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