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Indústria mascarou malefícios do açúcar

Análise revela que cientistas norte-americanos foram pagos para que minimizassem a conexão entre o açúcar e doenças cardíacas

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, EUA, publicam na revista PLOS Medicine uma análise de 319 documentos internos da indústria do açúcar produzidos entre 1959 e 1971. O material revela que, nos anos 60, cientistas norte-americanos foram pagos para que minimizassem a conexão entre o açúcar e doenças cardíacas, e para que promovesse a gordura saturada como responsável pelo problema.

“Eles conseguiram tirar a discussão sobre o açúcar dos trilhos por décadas”, afirmou Stanton Glantz, autor do estudo. Os documentos demonstram que a associação setorial Fundação da Pesquisa do Açúcar (Associação do Açúcar), pagou a três cientistas da Universidade Harvard o equivalente a cerca de US$ 50 mil em dólares atuais para que publicassem uma revisão das pesquisas sobre açúcar, gordura e doenças cardíacas, em 1967.  Os estudos usados para a revisão foram selecionados cuidadosamente pela associação do setor de açúcar, e o artigo, publicado pela prestigiosa revista médica “New England Journal of Medicine”.

A análise também aponta que essa indústria tentou influir nas prioridades científicas do Programa Nacional para a Cárie (NCP, na sigla em inglês), criado no fim desse período. O Estado aceitou 78% das propostas da indústria do açúcar para evitar a cárie. “A indústria açucareira adotou uma estratégia que consistia em desviar a atenção para intervenções de saúde pública que implicassem na redução dos danos do açúcar ao invés de restringir seu consumo”. Com esse plano, promoveram o financiamento de pesquisas sobre enzimas capazes de desfazer a placa dental e sobre uma vacina experimental contra a deterioração dos dentes que nunca demonstrou ser aplicável em grande escala.

O estudo revelou que 78% de um relatório remetido pela indústria foi incorporado aos editais de projetos de pesquisa do Instituto Nacional para a Pesquisa Dental, e outros trabalhos, como os pensados para medir como alguns alimentos específicos causam cárie, desapareceram da lista de prioridades do NCP. Depois de uma década liderando a agenda científica para combater a cárie nos EUA, o NCP “não conseguiu reduzir significativamente o problema da cárie dental, doença que se pode prevenir e que continua sendo a principal doença crônica entre crianças e adolescentes dos EUA”, criticam os pesquisadores.

 

Fontes
El País/Brasil
Folha UOL
http://journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.1001798

 

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