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36% dos alimentos no país têm agrotóxicos

Muitos dos alimentos chegam à mesa com a presença de mais de um tipo de pesticida, levando ao “efeito coquetel”

Uma pesquisa inédita do Greenpeace revela que 36% de alimentos comuns à dieta do brasileiro, entre eles o arroz e o feijão, contêm resíduos de agrotóxicos proibidos. O levantamento, realizado em amostras de centros de distribuição de São Paulo e do Distrito Federal, em setembro, também mostrou que 60% da amostragem apresentava pelo menos algum tipo de resíduo de pesticida. Os testes foram realizados pelo Laboratório de Resíduos de Pesticidas (LRP) do Instituto Biológico de São Paulo, ligado ao governo do Estado.

Muitos dos alimentos chegam ao consumidor com a presença de mais de um tipo de pesticida, levando ao chamado efeito coquetel das substâncias químicas. E em outros tantos, foi detectada a presença de resíduos de substâncias não permitidas para aquele alimento e até de agrotóxicos que são proibidos no Brasil. “A nossa amostra é pequena, e o objetivo do estudo não foi o monitoramento, que deve ser feito pelo governo, mas mostrar que estamos colocando agrotóxico todos os dias na mesa”, diz Marina Lacôrte, especialista do Greenpeace em Agricultura e Alimentação. “Desafiamos qualquer centro a realizar o teste. Vai encontrar agrotóxico”, comenta.

O Greenpeace testou o arroz branco e o integral, o feijão preto e o carioca, o mamão formosa, o tomate, a couve, o pimentão verde, a laranja, a banana nanica, a banana prata e o café. Ao todo, a ONG testou 113 kg de alimentos. Parte dos alimentos foi escolhida por ser representativa na dieta do brasileiro, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e outra parte por apresentar altos índices de agrotóxico (como couve, pimentão e tomate).

Os resultados são consistentes com pesquisa feita pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) com amostras coletadas entre 2014 e 2015; na ocasião, a agência mostrou que 58% dos alimentos tinham algum resíduo de agrotóxico.

Testes realizados pela Proteste em 2016 também mostraram que mais de um terço dos alimentos tinha agrotóxicos ilegais. A entidade testou amostras de oito tipos alimentos.

Orgânicos

Amir Bertoni Gebara, pesquisador do Instituto Biológico, explica que os níveis de agrotóxicos encontrados não estão diminuindo com o passar do tempo. “Já encontramos, inclusive, agrotóxicos em alimentos orgânicos”, diz. “Não é comum. A cada cinco amostras, uma apresenta (alguma substância). Mas via de regra são produtos permitidos e em dosagem bem baixa”.

Ainda assim, Marina Lacôrte recomenda que quem tem acesso ao alimento orgânico compre estes produtos. “É um pedido que não dá para fazer a todo mundo”, reconhece. Isso porque os alimentos orgânicos costumam custar em torno de 30% a 40% a mais que os convencionais. Quem não puder comprar orgânicos, a dica é lavar muito bem os alimentos e esfregar com uma escova quando possível, inclusive as cascas das frutas que são consumidas sem casca, como a melancia e a laranja. Pimentão, alface, tomate, mamão, pêssego, figo, couve, goiaba e laranja são, de acordo com Gebara, os alimentos que normalmente apresentam mais resíduos de agrotóxicos.

 

 

 

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