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Como o seu estilo de vida afeta o planeta?

Principal revelação da pesquisa é que o maior impacto ambiental não é causado pelos carros que dirigimos ou pelo ar-condicionado das casas , mas pelos produtos que consumimos

A designer industrial e escritora holandesa Babette Porcelijn deu uma contribuição e tanto aos dispostos a compreender e reduzir o impacto de seus hábitos de consumo no meio ambiente. O resultado da pesquisa que empreendeu na Holanda e nos Estados Unidos está compilado no livro Hidden Impact (Impacto oculto, em tradução livre), e vem ganhando novos dados com as análises de impacto ambiental que a autora vem realizando ao redor do mundo – ela participou, em São Paulo, What Design Can Do (“O que o design pode fazer”, em tradução livre).

Para Porcelijn, a principal revelação da pesquisa é que o maior impacto ambiental não é causado pelos carros que dirigimos ou pelo ar-condicionado das casas e, sim, por produtos que consumimos, como livros, eletrônicos, roupas, alimentos – pelo menos na Holanda e nos Estados Unidos.

A autora considera como impacto elementos como uso da água e da terra, desmatamento, mineração e processamento de matérias-primas, esgotamento de recursos naturais, perda de biodiversidade, emissões de gases de efeito estufa, lixo e uso de combustíveis fósseis. Monitoramento que vai além do clima, mas também da natureza, biodiversidade e todo tipo de poluição.

Para calcular o impacto da carne, por exemplo, é preciso levar em conta a produção de alimento para o gado e o desmatamento causado para criar o pasto. Para saber o real impacto de um carro, é necessário incluir a poluição causada pela mineração dos metais utilizados. No caso de uma calça jeans, deve-se considerar a água utilizada na produção de algodão e também na lavagem do tecido. O uso de máquinas de lavar e de secar, que costuma não ser considerado, emite cerca de 12,5 kg de CO2 por lavagem, além do gasto de ao menos 50 litros de água.

Além do senso comum

No caso dos alimentos, a pesquisa revelou que frutas e legumes em conserva ou transformados em molhos, como o tomate, podem ter menos impacto ambiental do que os frescos. O problema se encontra, segundo a autora, encontra-se no desperdício que acontece do momento da colheita até a chegada ao prato do consumidor, uma vez que mais de um terço da comida produzida nunca chega ao seu prato. No caso das frutas, legumes e verduras, a perda chega a 50% das colheitas.

Autora da pesquisa, a holandesa Babette Porcelijn participou do evento What Design Can Do, em São Paulo

Parte desse não aproveitamento acontece em casa, com a comida que estraga na geladeira ou é deixada no prato. Porcelijn calculou também esse impacto: se não desperdiçássemos nenhum alimento, nossa pegada ecológica diminuiria cerca de 15% para comida em geral e até 17% considerando só os vegetais.

Entre as soluções acessíveis para o problema oferecidas pela autora, é fazer um calendário com as frutas, legumes e verduras de cada estação e procurar comprá-los de produtores locais – localizados a até 2 mil quilômetros de distância, para diminuir o impacto do transporte. Se quiser algum que esteja fora de época, cujo impacto para produzir é maior, prefira a conserva.

“Para mim, é importante começar pelas coisas grandes, que causam mais impacto. Mudá-las é mais eficiente”, diz ela. Desde que se debruçou sobre o tema, Porcelijn inseriu algumas dessas mudanças na rotina de sua família. “Só compro o que realmente preciso e, se eu puder, de segunda mão, especialmente roupas; parei de comer carne e também não tenho mais carro e não pego aviões, a não ser que isso seja para fazer mais bem do que mal”.

A designer acredita que deixar de comer carne – o alimento mais poluente – pode ser mais prioritário para o meio ambiente do que deixar de ter um carro. O primeiro passo, segundo ela, é tornar-se sustentável e reduzir o impacto relativo aos seus hábitos pessoais.

Para quem pretende ir mais além, ser “econeutro” envolve fazer compostagem, plantar árvores, investir em energia renovável e apoiar financeiramente organizações ambientais, por exemplo.

O nível três, “ecopositivo”, significa trabalhar para que sua influência na mudança de hábitos das pessoas ao seu redor – em casa, no trabalho e em outros grupos – seja maior do que seu impacto no mundo como consumidor.

De uma maneira geral, o truque é: mesmo que você ainda faça tudo o que normalmente faz, faça menos. Por exemplo, pode comer a metade de uma porção de carne, e não essas enormes. Ou não comer todo dia, mas só uma vez por semana.

Fontes:

Whatdesigncando/brazil-2017

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